UMBRELLA    |    18. Festival Cultura Inglesa - Britsh Culture Center - SP

 

 

É um movimento duplo: do projeto ao objeto e depois de volta. Primeiro nasce como ideia, a solução de uma necessidade prática; depois ganha forma abstrata, vira um projeto; a seguir torna-se forma no mundo, um objeto; por fim ideia e forma confrontam-se entre a intenção e o que se é possível fazer.

 

Para alguns o mundo sempre foi como ele é: cheio de prédios retangulares, ruas, canos, fios, pontes etc. Como se cada elemento das cidades modernas não fosse produto de extensas discussões. Vivemos em um mundo pensado, projetado e elaborado à exaustão antes de ser realizado enquanto obra, produto material. Algumas pessoas tratarão o mundo contemporâneo como uma realização natural, quando em verdade ele é majoritariamente uma construção cultural.

 

Partindo de um objeto prosaico e rotineiro na vida de qualquer homem moderno, o guarda-chuva é tomado nesta exposição como elemento alegórico. A partir do mais imperceptível elemento da vida contemporânea, Andrey Zignnatto propõe a desconstrução do mundo até suas estruturas indeléveis, garantindo assim a manutenção daquilo que nos é reconhecível.

 

Esta pesquisa plástica não aponta uma revolução, mas certo apaziguamento entre forças desiguais: o homem e o mundo ao seu redor. Explorando variadas formas de se produzir imagens, o artista desconstrói o objeto guarda-chuva transformando-o novamente em seu projeto para, a seguir, ressignificar as imagens resultantes como alegorias para o entorno de cada ser humano. Ao olhar para esta constelação de trabalhos os visitantes vislumbram também o reflexo de seu mundo, suas ações.

 

Partindo de um problema plástico clássico: a união impossível da bidimensionalidade do desenho com a tridimensionalidade da escultura; Andrey Zignnatto coloca o pensamento daqueles que encaram seu projeto Umbrella em movimento, refletindo sobre as estruturas que sustentam o mundo e sobre seu colapso inescapável.

 

Apoiando-se nas arestas de um objeto ordinário, o guarda-chuva, o conjunto de obras exposto instiga cada interlocutor a repensar sua relação com eu entorno e nas narrativas surgidas das imagens dispostas em seus percursos diários, seu mundo conhecido.

 

 

Paulo Gallina  [junho/2014]

curador e crítico de arte